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Sábado, Julho 31, 2004
"Andar e pensar um pouco, que só sei pensar andando.
Três passos, e minhas pernas já estão pensando.
Aonde vão dar esses passos?
Acima, abaixo?
Além?
Ou acaso se desfazem no vento
sem deixar nenhum traço?"
Paulo Leminski
p.s - overdose de coisa boa nunca é demais
e ele é bom... overdose de Leminski então.
que me traduz um pouco.
e às vezes um muito!
Grasi às 2:48:00 AM.
Sexta-feira, Julho 30, 2004
Eu, um monte de idéias e um teclado
Aqui na minha frente agora há um teclado... se não houvesse você não estaria lendo esse texto. Prova de que eu não estou mentindo.
Em frente ao teclado há um eu.
Em mim, muitas incertezas na busca de virarem certezas... bem, eu já disse a elas que não será agora. Mas elas, as certezas, continuam insistindo. Pois bem, estou tentando.
Há também um monte de idéias... muitas escritas ou rabiscadas nos papéis que estão aqui: ao lado do teclado e na minha frente.
Um vídeo! Preciso de um vídeo para apresentar no PG. O vídeo se move. É de movimento que eu vivo e é nele que eu estou pensando agora. Um vídeo para mostrar a todos o que se vê todo dia. Quando os olhos não estão fechados, claros.
Fotografias. Elas possuem a capacidade de congelar fatos. Os fatos não existirão mais; foi só um momento. Mas estarão sujeitos a observação dos que não viram, caso os olhos tenham estado fechado naquele momento. Fotografia também é forte. Bom para fixar idéias.
Estórias. Queria um monte delas aqui nas páginas desse PG. Assim o acontecimento vem de fato, depois que se diz. Estórias que eu vive, que eu lembrei ou que eu ouvi. Estórias que fizeram questão de me contar. Ou até mesmo as que eu imaginei. Estórias sobre os homens. Pra ficar o dito pelo não dito.
Livros. Como suporte de tudo. Confesso temê-los. Na verdade acho que não sei muito bem como utilizá-los. Idéias surgem mais rápidas do que as letras. E uma vai passando por cima da outra. Talvez aí algo bom possa acontecer! Letras e idéias se misturando. A forma individual de combinar o que existe e o que é vislumbrado: a própria definição do que constitui uma idéia. Milton Santos, 2001.
Escritos. Um monte deles. Compilados em PG como quem tem muito a perguntar e alguma coisa a dizer. Pontos, que quando ligados formam as linhas. E as linhas formam os textos. E um não tem necessariamente continuidade ao outro. Não-linear, como o pensamento humano.
Projetos. Imersos em conceitos. Causa e conseqüência de toda a discussão. Alguma coisa está fora da ordem. Ou não estaríamos aqui.
Pronto senhor teclado. Agora estamos quites. Você me olha, e eu te uso.
Grasi às 10:37:00 AM.
Quinta-feira, Julho 29, 2004
" '... Mas não quero me meter com gente louca', Alice observou. '
Oh !!! É inevitável', disse o Gato; 'somos todos loucos aqui. Eu sou louco. Você é louca'.
'Como sabe que sou louca ???"
'Só pode ser", respondeu o Gato, 'ou não teria vindo parar aqui...' "
e ainda me dizem que alice no país das maravilhas é historinha de criança...que nada, é historinha pra gente mesmo.
ali
só
ali
se
se alice
ali se visse
quanto alice viu
e não disse
se ali se dissesse
quanta palavra
veio e não desce
ali
bem ali
dentro da alice
só alice
com alice
ali se parece
leminski
quem mais poderia ser?
Grasi às 11:17:00 PM.
...
...
...
...
...
falar sozinha até que é bom
...
...
...
...
...
Grasi às 11:16:00 PM.
Sábado, Julho 24, 2004
"todo dia é dia, tudo em nome do amor... ah, essa é a vida que eu quis"
o último Encontro
e que mal há em ir sabendo que será o último?
o último Encontro Nacional de Estudantes de Arquitetura...
o último dia em que todos estão dormindo juntos...
o último momento em que convivo com iguais tão diferentes de mim...
o último abraço, o último beijo, o último ônibus apertado, o último 'acorda!', o último credenciamento desorganizado, fila do banho, a fila [ou não] do almoço, a galera, a bagunça, a arquitetura, o encontro...
eu realmente não estava preparada para ir... mas fui!
e voltei.
e agora não me sinto mais preparada para dizer, com a certeza que poderia ter dito há duas semanas: será o último.
não, não será...
encontros nunca são os últimos.
são intensos demais para considerá-los assim.
Mi, Milinha e Fafá: juntas já fomos 14... em Brasília éramos apenas 4... mas levando cada um em nossos corações... todos 99.1 que já participaram de um Encontro... e amaram o Encontro... como nós continuamos amando.
Gi, Aline e Clarissa: a alegria [e cachaça] de vocês é contagiante. Meninas de pilha 24h e sensibilidade a flor da pele...adoro vocês!
Chicão: uma pessoa enorme... daquelas que encontramos raramente... quanta alegria é estar ao seu lado... chorando de rir! brincando de ser feliz... sendo feliz brincando... amigo lindo, obrigada por você existir.... aí em Sampa, ou aqui em Vitória, sempre em nossos coraçõezinhos... que vivem se dilatando só para abrigar alguém como você.
Dani Paz: só você mesmo para marcar de nos encontrarmos às 10h da manhã para conversamos... a beira do lado paranoá... ainda bem que eu acorde!
e tantos, tantos... são 4700 pessoas...
Grasi às 11:26:00 AM.
Sexta-feira, Julho 09, 2004
se alguém me procurar por aqui diga que continuo as andanças...
agora na capital do país, cidade modernista, plano de lucio costa, monumentos de niemeyer, casa da família Drumond, cidade de encontros: ENEA BRASÍLIA.
beijos... acho que não estou preparada para [mais] uma semana fora.
de qualquer maneira: fui!
Grasi às 8:14:00 PM.
Quarta-feira, Julho 07, 2004
pela janela
hoje quero continuar o papo sobre Itacoatiara.
não quero continuar falando da viagem... não quero contar sobre os edifícios lindos que vi em Bruxelas, não quero falar de tudo de maravilhoso que vivi em Paris.
quero apenas falar sobre Itacoatiara...
dia 11, no avião olhei pela janela, assim, como quem não tem mais nada pra fazer naquela poltrona apertada de classe econômica.
olhei... e vi Itacoatiara! ela estava ali, linda, sob meus olhinhos que desde a primeira vez que a viu só sabia admirá-la... pela beleza encantadora, por tudo de bom que vivi ali, pelas lembranças...
as lembranças guardadas na alma.
virei para o lado querendo gritar: olhem, olhem, é a Praia de Itacoatira.
mas, que diferença isso faria para os outros?
por um segundo eu vi Itacoatira novamente, mas era diferente... não sabia porque, mas estava sendo... depois, bem longe da praia, em terras francesas.. eu fui entender.
tudo que conheci pela europa foi uma experiência incrível.
tudo que vi, tudo que vivi, tudo que admirei.
mas Itacoatiara não saiu da minha cabeça por nenhum momento.
por que?
pois não é fácil inscrever nada na alma... momentos que ficam guardados ali são inexplicavelmente mágicos.
não vale a pena descrevê-los; é necessário apenas tê-los.
Grasi às 9:00:00 PM.
pela janela
hoje quero continuar o papo sobre Itacoatiara.
não quero continuar falando da viagem... não quero contar sobre os edifícios lindos que vi em Bruxelas, não quero falar de tudo de maravilhoso que vivi em Paris.
quero apenas falar sobre Itacoatiara...
dia 11, no avião olhei pela janela, assim, como quem não tem mais nada pra fazer naquela poltrona apertada de classe econômica.
olhei... e vi Itacoatiara! ela estava ali, linda, sob meus olhinhos que desde a primeira vez que a viu só sabia admirá-la... pela beleza encantadora, por tudo de bom que vivi ali, pelas lembranças...
as lembranças guardadas na alma.
virei para o lado querendo gritar: olhem, olhem, é a Praia de Itacoatira.
mas, que diferença isso faria para os outros?
por um segundo eu vi Itacoatira novamente, mas era diferente... não sabia porque, mas estava sendo... depois, bem longe da praia, em terras francesas.. eu fui entender.
tudo que conheci pela europa foi uma experiência incrível.
tudo que vi, tudo que vivi, tudo que admirei.
mas Itacoatiara não saiu da minha cabeça por nenhum momento.
por que?
pois não é fácil inscrever nada na alma... momentos que ficam guardados ali são inexplicavelmente mágicos.
não vale a pena descrevê-los; é necessário apenas tê-los.
Grasi às 9:00:00 PM.
Sábado, Julho 03, 2004
um ônibus
sábado, 06:45h da manhã... por acaso isso é hora de alguém viajar?!? mas, era o horário que estava na minha passagem: Barcelona - Bruxelas. e, para completar, o aeroporto era looonge...
um único probleminha: a sexta-feira em Barcelona estava muito boa e eu não queria mais ir embora... não sem antes me despedir dos amigos que deixaria lá em um bom bar barcelonês.
vira e revira e descubro: há um ônibus da ryanair que saí às 4:30h da madrugada de alguma rua, perto de alguma praça em Barcelona e que me deixaria diretinho na porta do aeroporto em Girona.
pronto, decidido! não sei como, mas é este busu aí mesmo que eu vou pegar!
marina e natalia (lindas e salvadoras da pátria) vão comigo até o hotel... cinco minutinhos para atochar tudo no mochilão, inclusive os livros que havia comprado e ganhado (puta que pariu, que peso, que peso, que peso!!!), e lá vamos nós ao metrô... destino: Centro Antigo de Barcelona.
tudo dá certo.
encontro os amigos no bar, bebo cervejas boas e fortes, encontro um barzinho de brasileiros e derivo mais um pouco com a ellen, que entra na barca furada de pegar o táxi comigo até o local de onde sairia o busu.
saindo do táxi não vejo nem sinal de ponto de ônibus, rodoviária ou coisa assim... ah, normal... surgem dois guris, um argentino e um espanhol... ellen segue seu caminho e os guris me ajudam com as bagagens.
sabe o que eles tinham na mão??? caipirinha!
quando viro a esquina uma festa!
na verdade não era bem uma festa... era um monte de gente, igualzinho a mim, que também estava esperando o busu para o aeroporto de Girona.
todos viajantes... como eu!
pronto, estava no meio da rua, quase deitada sobre a mochila...
mas me sentia em casa!!!
Grasi às 2:32:00 PM.
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